O Andejo Vadio
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"I always wonder why birds choose to stay in the same place when they can fly anywhere on the Earth. Then I ask myself the same question."
(Harun Yahya)

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Israiloche


Enfim cheguei ao jardim de inverno brasileiro. Somente de inverno. No outono, San Carlos de Bariloche é um dos muitos pontos constantemente visitados por israelenses recém saídos das forças armadas israelenses. Assim como aconteceu em Rosário, na província de Santa Fé, em Bariloche encontrei dezenas de Judeus vindo de Israel.

Não sei se já comentei sobre isso por aqui, mas o serviço militar em Israel é, como no Brasil, obrigatório. A diferença é que além de ser um exército ativo, sempre atento aos confronto com palestinos e muçulmanos na faixa de gaza e com seus países vizinhos e inimigos,  todo jovem israelense serve ao país por ao menos 2 anos, se for mulher e 3 anos, caso seja homem, isso se não forem oficiais. Outra diferença é que são bem pagos por isso. Graças a isso, ao deixar o exército, é costume sair a viajar pelo mundo, e graças aos baixos preços, Ásia e América Latina são os lugares escolhidos para viagens que variam entre 4 e 18 meses.

Isso faz com que sejam maioria em quase todos os lados - no hostel que fiquei eram quase a metade dos hóspedes, enquanto que no quarto que fiquei, era o único que não pertencia à religião, que segue à Tora ao invés da Bíblia cristã. Interessante troca de culturas. Estive acompanhado de pessoas de uma religião distinta durante um feriado importante, ao qual não podiam comer pão, macarrão e coisas do tipo por 1 semana, em referência à fuga de seu povo do Egito, quando não tiveram tempo de deixar o pão crescer, e tiveram que deixar as terras de faraós sem o básico alimento.

Mayan, Gil, Yana, Einat e Maytal são exemplos da miscigenação desse antigo povo recém unido em um estado próprio. Meus novos amigos são de descendência americana, asiática e africana, unidos todos por algo que é uma mescla de cultura e religião, o Judaísmo. Com eles passei meus dias na linda cidade andina, onde toquei pela primeira vez pequenos e efêmeros flocos de neve, subi montanhas que eram nada mais que mirantes naturais, visitei museus interessantes e aproveitei, e muito, a noite argentina.

Construída às margens do Lago Nahuel Huapi, a fria cidade tem uma linda natureza, mas me decepcionei um pouco com a arquitetura da cidade que nada se parece as lindas cidades que havia passado nos últimos dias como Junin e San Martin de los Andes e Villa la Angostura. A cidade nada tem de elegante e suas belezas não são mérito das mãos humanas.

Uma dessas belezas, o Cerro Campanário, é o mirante que citei a pouco e aí estive duas vezes interessado na vista do entardecer, e mesmo perto do congelamento, na segunda vez aguentamos firme até quase o anoitecer, quando descemos a montanha pelas trilhas no meio do bosque. Também tomamos um delicioso submarino - leite quente com uma barra de chocolate - em um lindo café no cume da montanha. Definitivamente um lugar mágico que me inspirou a comprar os primeiros postais da viagem e que viria a escrever após um outro momento de inspiração que ainda não vem ao caso.

Como sempre, a companhia sempre é importante na apreciação de um momento, e esse grupo de amigos que me ensinou as primeiras palavras em hebraico, foi essencial tanto nas fotos no alto do morro quanto em toda minha estadia em Bariloche, e são em grande parte responsáveis por minha crescente vontade de visitar a Terra Santa. 

Conheço 3 tipos de pessoas durante minha viagem: as que com certeza voltarei a ver, as que com certeza não voltarei a ver e as que quem sabe voltarei a encontrar um dia, e apesar da vontade que tenho de que pertençam ao 3º grupo, tenho a impressão que pertencem ao segundo. São pessoas que quando se vão, deixam um pouco de si, assim como levam um pouco de ti, e se meus olhos podem não voltar a vê-las, de minhas lembranças não sairão jamais.

Fui indagado por uma amiga no messenger sobre quais eram minhas novidades e como resposta lhe escrevi: "Eu continuo com minhas histórias de caronas, aventuras, paisagens incríveis e paixões de 4 dias", e divertidamente isso não me cansa, por mais que sinta falta constantemente de minha família e de minhas amizades, de uma casa e de comodidade. É uma rotina sem repetição, cada carona tem sua história, cada aventura gera adrenalina, cada paisagem mostra o céu de uma maneira diferente e cada efêmera paixão tem a capacidade de te fazer sentir em casa por um curto período de tempo.

Por mais que minha estadia em San carlos de Bariloche tenha sido uma vida, esta teve um fim para o início de uma outra, que iniciou com 2 caronas até o mágico lugar chamado El Bolsón. Coberta sempre por uma névoa gerada pela diferença de temperatura no poço rodeado de altas montanhas onde está localizada a cidade, esse pequeno aglomerado de pessoas é conhecido pelo seu misticismo e ecletismo, e é sempre receptivo a incompreendidos de todos os lados.

Paraíso natural que serve de casa para uma infinidade de artesãos, tem em sua feira uma das principais atrações locais, entretanto, para os curitibanos atrevo-me até a dizer, a feirinha semanal do largo da ordem é igual ou superior, em tamanho e variedade. Entretanto digo, não somente aos mesmo curitibanos, como a todos aqueles que lhes pode interessar, que o espírito das florestas de El Bolsón é único, traiçoeiro e pacificador e o trekking de 3 dias e meio, e mais de 30 km merecem um espaço privado e especial em minhas lembranças, um capítulo em um futuro livro e indiscutivelmente uma postagem única e exclusiva.

Assim sendo me despeço avisando que já tenho o texto escrito, e que o disponibilizarei para leitura em poucos dias aqui mesmo no blog e lhes adianto que a postagem que seguirá será redigida por alguém que já haverá passado pelo fim do mundo. 

Enfim minha viagem está tomando proporções de uma grande aventura e deixando de ser uma "viagenzinha" de apenas 15 meses!

Um grande abraço a todos e até breve,

Andejo. 

sábado, 16 de abril de 2011

Um paraíso em cada esquina!



O que vocês fizeram nos últimos 16 meses? É quebrar a realidade - ao menos a minha - pensar a quanto tempo estou viajando. E só de pensar que isso é só o começo me dá calafrios, ou quem sabe seja o frio que enche de neve o topo das montanhas que cercam Villa La Angostura. Montanhas essas tão próximas que parece que se estico o braço pela janela do apartamento de meus novos amigos, poderei tocá-las, agarrar um pouco de neve e colocá-la na jarra pra gelar o suco.

A incrível sensação de bem estar nas residências bem calefacionadas, esconde o cortante vento que sopra na patagônia andina. E conforme o tempo passa e mais ao sul estou, mas selvagem se torna o clima. Isso já se percebia quando deixei Junin em direção à San Martin - e que bela cidade! Poderia ser tranquilamente uma cidade cenográfica. Com sua praça principal, na qual, invariavelmente na Argentina, está a estátua de um homem montado num cavalo, seu pequeno cassino onde pude desfrutar de uma milonga com minhas botas de trekking, sua pequena prainhas às margens do lago Lacar, e suas trilhas através das montanhas, não me espantaria em cruzar uma porta e perceber que entrei equivocadamente em um set de filmagens, como aquele feito especialmente para o pobre Truman!

Tive em San Martin uma das mais lindas vistas desde o princípio da viagem, e não consideraria isso pouco, visto os lugares que já percorri. Depois de caminhar um tempo pelos densos bosques andinos, com suas íngremes e cansativas subidas. Cruzei por uma localidade indígena mapuche até o mirador Bandurrias. Sinto-me frustrado por não ter a capacidade de tirar fotos capazes de demonstrar o mesmo que viam meus olhos. Depois, acompanhado por um cachorro na caçamba de uma caminhote, percorri sinuosas curvas em esburacadas e estreitas estradas de terra até La Islita, um pedaço do paraíso na terra. Uma pequena praia de pedras afastada a uns 50 metros de uma pequena ilha do lago Lacar. Passei toda a tarde aí com os pés na água, conversando com algumas garotas de San Martin que aproveitaram o dia de greve na cidade para desfrutar da natureza. Em San Martin toquei violão pela primeira vez na rua. Não coloquei chapéu nem nada, fiz somente pra perder a vergonha! Um par de gente parou pra me ouvir tocando, bem bacana!

A viagem entre San Martin e meu próximo destino, Villa La Angostura, mostrou-me que as cidades dessa região não são pequenos paraísos isolados e sim que toda a patagônia andina tem a capacidade de tirar o ar de seus pulmões cada vez que uma nova curva te mostra uma nova paisagem. A extrema sorte fez com que um casal de chilenos fossem minha próxima carona e graças a isso pude conhecer bem a tão famosa "Ruta de los Siete Lagos". Imaginava que ia escolher dois lagos para conhecer dada a dificuldade de conseguir carona, esntretanto, ao invés disso, o casal estava também fazendo turismo na região e paramos em quase todos os lagos para respirar um pouco de ar puro e tirar fotos. Para terminar ainda me convidaram para visitá-los em uma bela cidade ao sul do Chile quando estiver passando por ali.

Em Villa La Angostura fui recebido por Sebastian, meu atual anfitrião de Couch Surfing, junto com Charly, Cristian e Emmy. Além deles, mais três surfers andavam por essas bandas: Arturo e Branko, dois mexicanos da Cidade do México e Maud, do sul da França. Com toda essa mescla passamos vários divertidos dias, entre caminhadas, culinária internacional e baladas inesquecíveis - de fato a melhor noite que passei foi aqui. Convidaram-me ao palco e toquei algumas poucas músicas em dois bares da cidade, e convidaram-me também a ir qualquer dia a um terceiro. Não foi de todo mal e quem sabe eu possa fazer um pouquinho de grana com isso qualquer dia. Estou longe de ser músico, entretanto, não é comum haver alguém que cante e toque música brasileira de qualidade (música de boa qualidade e não interpretação de boa qualidade, rs) pela região, e isso valoriza meu passe, rs! 

Meu próximo destino é San Carlos de Bariloche, tão conhecida cidade dos brasileiros. Estou com vontade de procurar um trabalho por aqui para passar o inveno, afinal quero ver neve e esquiar! Vamos ver qual sorte os ventos me trazem!

Quero deixar um grande beijo e um abraço todo especial para minha querida "irmãe" Vanessa que completou 20 anos pela última vez ontem, dia 15 de abril. Vane, com certeza você é uma das peças fundamentais para a formação do caráter do seu caçula, caráter esse que tanto elogia (uhum, quem sabe por saber isso você elogie, rs!). Por isso e por tantos outros motivos que eu e você sabemos sem necessidade nenhuma de citá-los e lhe agradeço! Parabéns!

Para que a homenagem acima seja ainda mais especial, para todos os outros desejo um aperto de mão! =D

Sinceramente,

Andejo.

sábado, 2 de abril de 2011

Patagoneando!


Como acha que seria a estada na casa de um alto funcionário de uma cervejaria artesanal? Foi assim minha difícil vida em Mar del Plata. Fiquei na casa do Gabriel, engenheiro fanático por cerveja que abandonou a carreira quando foi convidado a trabalhar numa fábrica de cerveja. Inclusive provei uma cerveja feita por ele em sua casa!! Posso até dizer agora como se faz uma cerveja! Maneiríssimo! Fora isso, Mar del Plata é uma cidade bacana e se não fosse pelo clima frio, pareceria com o que imagino que é caribe: bares com muitas frutas com mesas com toldo de palha e salsa caribenha rolando solta e outros bares construídos na encosta entre rochedos. Algo que achei impressionante é que armam milhares de toldos na praia e os alugam aos turístas por preços altíssimos, e alguns desses "clubes" tem até piscina, ali mesmo na praia.

No dia que fui embora de Mar del Plata encontrei com meus amigos de Concepción del Uruguay e passei bons momentos com eles, matando a saudade desse casal pelo qual criei um carinho imenso. Levaram-me no caminhão até o cruzamento de duas estradas e aí nos separamos e comecei a pedir dedo já durante a noite num frio absurdo. Para minha grande surpresa, perto das 10 da noite um rapaz que vendia ração para cachorros estava indo a Tandil e me tirou da enrascada que estava. 

Da grande probabilidade que tinha de passar a noite na estrada, fui levado diretamente a um churrasco em Tandil, e meu novo anfitrião, Sebastian, me recebeu com vários amigos também de Couch Surfing. Pessoal muito gente fina, que encontrei muitas vezes antes de sair de Tandil, dias esses que foram fantáticos! Uma das únicas coisas que não fiz foi descansar: churrascos, festas, bares e natureza a todo momento. Conheci aí também duas francesas que moram em Buenos Aires, garotas muito gente fina. Sebastian me convidou para jogar futebol de campo em uma cidade vizinha, e nós dois quase morremos visto que havíamos saído no dia anterior e regressado às 7 e meia da manhã com uma taxa de álcool relativamente alta no sangue, dormimos 3 horas e fomos jogar num campo imenso de baixo de sol forte! Foi terrível, haha! O ponto alto do tempo passado em Tandil foi quando fomos a uma pedreira abandonada, que se transformou num lago ao longo do tempo. Mergulhamos na água gelada e aproveitamos muito bem a tarde. Subimos na antigas estruturas que usava a pedreira que estavam completamente enferrujadas e parecia que iam desmoronar a qualquer momento, além de visitarmos também um cemitério de tratores.

Entretando a viagem continua. Deixei Tandil em direção a Bahia Blanca, com escala em Azul, Benito Juarez e Tres Arroyos, esta última a mais bacana. Já durante a noite em Benito Juarez, subi no carro de um senhor bastante religioso que me ofereceu sua casa para passar a noite. José Farias seu nome. Separado, com dois filhos já adultos e vivendo em Buenos Aires, cedeu-me uma cama confortável que pertencia a seu filho. No dia seguinte ainda me levou para conhecer um pouco da cidade. Coisas assim que parecem absurdas e inacreditáveis para muita gente, como alguém te dar carona e ainda por cima ceder um lugar para dormir, para tomar banho, dar-te de comer e oferecer-se para ser seu guia na cidade, acontecem a todo momento comigo, tornando minha viagem cada vez mais impressionante e me faz desacreditar em toda maldade que todos dizem que domina o mundo. É evidente que existe maldade, que existem pessoas de má índole, mas isso não representa toda a realidade. Esconder-se em suas casas não os faz estar mais seguro, e sim mais ignorantes, visto que julgam o mundo baseado em coisas que escutaram, e não em coisas que viveram. Pode ser até que já tenha te passado algo mal, que tenha sido assaltado, ou sofrido de alguma violência, mas parem para pensar quantas coisas boas lhe aconteceram na vida, quantas pessoas te ajudaram. Essa nossa capacidade de valorizar tudo que é ruim e tornar isso nossa única realidade me entristece e muito, porque cada vez mais as pessoas se encerram dentro de si mesmas, tornando-se assim pessoas mais tristes e solitárias e essas pessoas podem nunca chegar a conhecer a verdadeira realidade da vida.

Tudo isso precedeu minha entrada na tão esperada Patagônia, e depois de 4 anos, visto que esse foi o objetivo em minha primeira viagem em 2007, pude perceber a grandeza dessa paisagem. A Patagônia é tudo que eu imaginava só que em maior escala. Paisagens impressionantes, quilômetros de estrada reta e deserta, sem nenhum povoado ou vila. Estradas essas que aos poucos mudam suas caras, passando de campos para estepes, tornando-se quase desértico em algum momento passando a ser bosques quando se acerca a cordilheira dos andes. Saí da província de Buenos Aires, cruzei parte de La Pampa, Rio Negro e minha primeira parada foi em Neuquén, onde dormi gratuitamente em um Hotel - estou ficando bom nesse negócio de viajar sem dinheiro. Seguindo, subi numa camionete que transformou em tortura minha viagem. Um carro extremamente velho, que andava a cerca de 60 km/h e que tinha que parar de 15 em 15 minutos esfriar o motor e colocar água no radiador. Torturante. Para rodar 280 km demoramos 6 horas, mais lento que qualquer caminhão. Quando faltavam 15 km para chegar ao local onde me despediria desses simpáticos argentinos o carro pifou de vez e o senhor, muito simpático mas pouco experimentado em mecânica, começou a tirar todas as mangueiras e fios do lugar, levando-me ao desespero porque era visível que ele não sabia o que estava fazendo. O cúmulo foi quando começou a mexer no equipamento de gás e começou a soltar uma válvula. Como eu trabalhei com ar comprimido quando mergulhava, sei que a pior coisa a fazer é manutenção com o cilindro cheio, tornando-o extremamente perigoso. Afastei-me e quando vi um guincho passando fiz sinal e pararam, ajudando-nos a concertar o que havia quebrado. Torcendo para não ter mais nenhum problemas transcorri os últimos quilômetros até a bifurcação em qual eu desceria do carro e voltaria a pedir carona. Por sorte assim aconteceu. 

Uma paisagem fascinante não me deixava perceber a seriedade da situação, a temperatura caía, o tempo fechava e a noite se aproximava, mas era tudo tão novo que inexplicavelmente eu não conseguia me preocupar em quem sabe passar a noite aí. Por sorte não tardaram a me levar a Junin de los Andes, onde estou agora. Linda pequena cidade nos pés das montanhas, lugar tranquilo propício para o descanso e para esportes de aventura. Fiz um trekking de mais ou menos 1 hora e meia até o alto de um morro onde tive uma visão espetacular do vulcão Lanín, quem infelizmente, devido ao sol, não pude fotografar de forma a representar toda sua magnitude e majestade no horizonte. Decidi voltar entre estepes, morros, bosques e florestas para cortar caminho e interagir um pouco com a natureza e quase tive problemas, locais muito íngremes, com mata extremamente fechadas e somente decidi seguir em frente porque não sei se teria capacidade de voltar pelo caminho que havia ido além de que a noite chegava. Por sorte tudo correu bem, confira o vídeo abaixo.



Hoje devo deixar Junin e seguir Patagoneando em direção ao sul e espero que minhas experiências continuem sendo tão fantásticas e empolgantes quanto foram as das últimas semanas, não me deixando hesitar e nem me arrepender por um instante sequer do que escolhi fazer de minha vida. Estou disfrutando de cada instante da viagem, mesmo que já esteja com mais de 15 meses. Sinto falta de minha família, de meus amigos, mas sinto ainda mais falta daquilo que ainda não conheço, das fantásticas paisagens me esperam, os diferentes povos, culturas, pensamentos, crenças e ideais. Percebi que deixei uma faculdade para entrar em outra, que não é técnica e que nem lhe dá um diploma, mas te ensina não somente a viver como também a disfrutar da vida, de seus pequenos detalhes, dos pequenos gestos, do silêncio, da solidão forçada que te deixa filosofar horas e horas, e torna as sociabilizações não somente obrigações, mas também momentos que devem ser aproveitados como se fossem únicos.

E ao final de tudo, perguntam-me se não me considero louco por fazer o que estou fazendo e agora respondo a todos: Seria louco se depois de descobrir essa vida a abandonasse sem cumprir meus objetivos. Não importa quão bem eu possa ter a sorte de escrever, não poderia expressar meus pensamentos, não importa a qualidade de minha câmera, ela não é capaz de mostrar o que meus olhos vêem e não importa o quanto eu estudasse, eu nunca amadureceria tanto como na estrada. Loucura por loucura, fico com a minha.

Um grande abraço a todos,

Andejo.  

segunda-feira, 21 de março de 2011

Diversidade


Saí de Buenos Aires, meu destino: La Plata, capital da província. Facundo me acompanhou até o centro, onde peguei um ônibus em direção à nova cidade que fica a não mais que 70 km da Capital Federal. Não é muito seguro pedir carona na saída de grandes cidades. Meu computador começou a dar problemas com a rede sem fio e fui a cyber pra verificar se tinha onde ficar na cidade ou não. Não. Os contatos que fiz por couch surfing não deram resultado, decidi então buscar um hostel. O primeiro, lotado. Depois de caminhar mais umas 15 quadras com minha leve mochila de 30 kg, encontrei outro.

Aproveitei que neste lugar meu note funcionava e trabalhei um pouco. Uma brasileira, 2 colombianos, uma francesa e alguns argentinos. Violão, música argentina, colômbiana, e brasileira. Mais tarde fui com duas garotas a alguns bares da cidade, noite bacana. No dia seguinte conheci Martin, um estudante que veio de Bariloche cursar Design na universidade em La Plata e ele me convidou a ir à casa de um amigo seu, Vladmir, de Ushuaia. Em La Plata está uma das universidades mais antigas e conceituadas da Argentina e por isso muitos estudantes vêm de todas as partes do país buscando um diploma de peso. Batemos papo, bebemos, comemos e logicamente saímos. Fracasso, o bar estava péssimo, mas foi muito divertido. Vladmir me convidou a ficar mais uns dias em sua casa, porque no sábado faria um churrasco. Aceitei e no dia seguinte me levaram pelos principais pontos de La Plata e me contaram um pouco de suas estórias.

Dizem as lendas que La Plata foi planejada por um membro de uma seita contra a Igreja Católica. Este, desenhou a cidade de uma forma peculiar. Não importa a direção em que caminhe, sempre encontrará uma praça em 6 quadras. Já na praça principal, as quatro estátuas de mulheres que representam as quatro estações, primavera, verão, outono, inverno, tem suas mãos em formato duvidoso: com os dedos indicador e mínimo esticados enquanto anular e médio estão dobrados, que em teoria simbolizam chifres, possivelmente em apologia ao diabo. Outra estátua na praça principal mostra um arqueiro que apontava seu arco diretamente para a cruz da catedral da cidade. O arco foi retirado do arqueiro após supostamente serem encontrados furos nessa mesma cruz. Para terminar, o prédio da Municipalidad, equivalente a nossa prefeitura, foi construído com os fundos para a praça principal e consequentemente, à catedral, além de sua torre, parecer com uma coruja, possível símbolo da seita. A veracidade dessa histórias é questionável e remete à capacidade humana de achar significados ocultos em quase tudo. Cada um tem a liberdade de acreditar no que quiser, visitem a cidade e tirem suas próprias conclusões. Independente de La Plata ser ou não uma cidade do "diabo", é realmente divertida, lotada de jovens, bares e agito, e é uma boa pedida para se conhecer na região.

No sábado recebemos alguns amigos de Vlad que vieram de Buenos Aires e fizemos um churrasco onde provei uma linguinça de sangue de boi, odiei, rs! Mas os moleques que vieram de Bs As eram muito gente fina e passamos muito bem a noite, até que fomos dormir. Só tinha uma cama de solteiro para 6 pessoas! Com todo o equipamento de viagem que possuo me salvei, coloquei o isolante térmico no chão e dormi no meu saco de dormir como sempre, enquanto dois deles dormiram literalmente no chão e outros 3 colocaram o único colchão de lado e dormiram metade no colchão e metade no chão! No domingo assistimos a alguns filmes de terror nada aterradores e tanto Martin quando Vlad disseram que vão falar com suas família para me hospedarem quando eu esteja em Bariloche e Ushuaia. Quem sabe dê certo e eu não congele no frio sul argentino!

No dia seguinte deixei La Plata em direção à San Clemente de Tuyú, mas demorei quase dois dias para percorrer a distância que separa as duas cidades. A primeira carona foi muito triste. Um cara na casa dos cinquenta, do tipo nervoso, inseguro. Conversamos sobre viagens e ele me diz que gostaria muito de poder viajar mais. Disse que viajava quando era mais novo, mas terminou a vida sem dinheiro, precisando trabalhar muito para se manter. Perdeu sua mãe quando criança e seu pai algum tempo depois. Não é casado e seus dois irmãos já faleceram. Ou seja, já na segunda metade de sua vida, está completamente só, fazendo algo que não lhe agrada. Inevitavelmente me deixou pensando na importância das relações interpessoais em nossas vidas. E pensei nisso durante um bom tempo já que a próxima carona demorou consideravelmente e ao final me levou a uma pequena vila chamada Pipinas. Descolei aí comida e um lugar pra dormir com o dono de uma churrascaria e no dia seguinte segui viagem. Uma carona até o meio do nada e outra até um local chamado Cerro de La Gloria, um povoado com menos de 100 habitantes.

Estava pedindo carona na estrada, ao lado da polícia quando chega um moleque, chamado Fabían, 18 anos, com 3 sanduíches, dois com um bife de milanesa de cervo que eles tinham caçado no dia anterior e outro de queijo com goiabada, estranho, mas muito saboroso. É impressionante a diferença de trato das pessoas do interior e das cidades grandes. Tomamos mate, e ficamos conversando por muito tempo até que consegui outra carona até próximo de San Clemente, e duas mais me levaram até o centro da cidade. Passei duas noites num pequeno hotel na primeira praia do litoral argentino, onde a água é marrom por misturar-se a água do rio da plata. Tomei então um ônibus a Pinamar, a praia High Class da região. Lotada de hotéis com várias estrelas e restaurantes caros, minha única opção foi montar a barraca na praia. Passei num bar fantástico, decorado com cacarecos deixados por seus clientes por mais de 35 anos. Deixei um chaveiro de uma bolinha chinesa. Já em Villa Gesell, a próxima cidade, minha parada foi em um camping.

História interessante a de Villa Gesell. Antigamente na região não havia nada mais do que dunas, quando um senhor chamado Don Carlos Gesell decidiu aí se instalar em 1931. Contruiu sua casa, levou sua família e plantou um par de árvores. Essas árvores transformaram as dunas em um bosque e onde não havia nada instalou-se uma cidade. Sua antiga casa hoje é um museu em sua homenagem e a cidade herdou seu nome. Desse bosque levarei boas lembranças. Encontrei em frente ao museu algumas pessoas que estavam tocando violão depois de um evento em comemoração ao aniversário do fundador da cidade e percebi que uma mulher cantava em francês. Uma artista de circo de Paris que cantava em bares e cabarés na França que veio viver na Argentina tocava vários tipos de música, tanto em francês como em espanhol, algumas músicas ciganas estavam fantásticas. Outros músicos que revezavam cantavam em grego, português e aimarã, idioma andino, surpreendendo-me com uma enorme diversidade cultural. É fascinante o que se encontra viajando, o inesperado se torna regra, mostrando-se presente a todo momento.

Enfim cheguei a Mar del Plata, uma grande cidade do litoral argentino, entretanto deixo essa história para um outro dia, acho que por hoje já falei demais!

Um grande abraço a todos, e principalmente a minha mãe que fez 32 anos (está me devendo uma, mãe) dia 20 e a meu sobrinho Giovanni que fez 1 aninho dia 8. Amo vocês dois!

Até a próxima!

Andejo.

terça-feira, 8 de março de 2011

Mais uma vez em Buenos Aires!



Quantas saudades sentia de estar à beira da estrada, de me queimar no sol, de não ter pra onde fugir da chuva, de passar horas cantarolando e praguejando os motoristas que não te dão carona. Essa sensação de liberdade que se sobrepõe a todos os pequenos obstáculos que surgem durante o caminho é capaz de transformar pequenos momentos em ocasiões importantes e grandes desafios em brincadeira de criança.

É bem verdade que meu recomeço de viagem foi bem diferente do que estava acostumado, visto que agora tenho a possibilidade de estar um pouco mais cômodo graças ao trabalho com meus pais. Usei deste benefício logo no princípio quando ao invés de "caronear", tomei um ônibus de Curitiba a Cascavel, passando 2 dias com minha irmã. Mas uma coisa não mudou, despedidas continuam sendo despedidas: em primeiro lugar minha mãe, que me levou à rodoviária de Curitiba. Com grande dor no coração, nos despedimos com os olhos lacrimejantes pensando no quanto tardaríamos a nos ver novamente. Em segundo minha irmã, que me levou com minha sobrinha de 1 ano e meio à beira da estrada, e me viu partir caminhando sem um rumo certo. Rever a família é maravilhoso, despedir-se é demasiadamente doloroso.

Pé na estrada. Com duas caronas cheguei a fronteira, com um ônibus a cruzei, e já no lado argentino a primeira caminhada, o primeiro contratempo, a primeira grande espera. Com um sol absurdamente forte não demorei a ficar com o nariz semelhante a um pimentão. Busquei abrigo com o intuito de passar um pouco de protetor. Desastre. O shampu abriu e os 300 ml de líquido gosmento se mesclaram aos outros objetos da mochila. Estupidez de mochileiro iniciante!! Como não colocar as coisas que podem vazar dentro de uma sacola? Passei horas lavando minhas coisas e enchi de espuma o banheiro do posto e acredito que se minha mochila chega a molhar ainda sairá espuma dela. Que raiva! Entretanto, estava no meio do nada e tinha pressa de seguir viagem. Engoli em seco e voltei pro acostamento. Andei alguns quilômetros em busca de uma sombra onde pudesse esperar que uma boa alma me levasse para o sul. Encontrei a sombra, mas não a boa alma. Segui caminhando e percebi que nessa estrada se localizavam grande parte dos hotéis da região, muito procurada pelos turistas que visitam as Cataratas do Iguaçú. Malditos sejam; horas debaixo de um sol escaldante, intercalando entre caminhadas com minha pesada mochila e sinais com o polegar, suando como um porco, olhando uma infinidade de pessoas se divertirem nas refrescantes piscinas dos hotéis. Sabe quando, num dia de calor, você chega em casa cansado, suado e sedento, abre a geladeira e não tem nada pra tomar? Então, foi muito pior. Era como uma mensagem do além: Seu F* da P*, tem mesmo certeza que quer voltar pra essa vida? E rindo da minha desgraça perseverei até ser recompensado.

Já com o sol baixo, subi a um caminhão missioneiro (de Missiones, província argentina, que equivalem ao nossos estados), com ar condicionado e muito tereré gelado. Escutava sertanejo, afinal nem tudo poderia ser perfeito, rs! Deixou-me em uma estação de pedágio não muito distante e já sem luz alguma vinda do sol pensava se deveria dormir por ali mesmo. A ansiedade falou mais alto e continuei pedindo carona. Dessa vez um carro, com um senhor que realmente apreciava o tabaco, levou-me até um posto de polícia perto da capital de Missiones, Posadas. Estive nesse lugar por bastante tempo, mas já de madrugada não esperava conseguir carona. Caminhei até uma garagem de ônibus, onde esperei dormindo em um banco, usando de travesseiro meu cachecol banhado em shampu, um ônibus que me levasse uns 50 Km, até a intersecção da estrada por onde seguiria, economizando um precioso tempo na manhã seguinte.

Desci em um posto próximo a San Jose, e ao lado de um mercadinho armei minha barraca - a infinidade de mosquitos não me permitiram dormir ao ar livre. Acordei antes das dez, e depois de comer uma medialuna recheada com cabelo, fui novamente me queimar ao sol. Próximo a mim, uma mulher pedia carona, e como era de se esperar, a conseguiu antes de mim. Cerca de 2 horas depois subi a um carro com duas mulheres e um moleque de uns 6 anos que dormiu deitado ao meu lado durante quase toda a viagem, despertando-se apenas em um momento gritando: "Vou vomitar!!!" Esse foi apenas um dos sustos que levei durante a viagem, já que a condutora deste carro não era das mais habilidosas, além do fato que a amiga que a acompanhava tirava sarro a todo momento, deixando-a ainda mais nervosa ao volante. Também escutavam sertanejo. Passamos, na metade do caminho, pela mulher que pedia carona perto de mim no posto em San Jose, ela pedia carona novamente na beira da estrada.

Cheguei a Santo Tomé. Parece que os santos estavam ao meu lado, visto que daí dei sorte de agarrar uma carona grande até Santa Fé. Pedi carona num posto a um Gendarme (Oficial da Gendarmeria, orgão militar responsável pelas fronteiras argentinas) e com ele estive por cerca de 7 horas ininterruptas a não menos de 140 km/h. No mesmo posto em Santo Tomé estava novamente a mulher pedindo carona: ou é um fantasma ou uma agente do FBI disfarçada que acha que eu sou um louco terrorista. Bom, o Gendarme era gente boa, dividiu uma pizza comigo e conversamos sobre inúmeros assuntos para afastar o tédio, o que era difícil com a mesmice da paisagem da região: planices e estradas retas que terminavam no horizonte. Acho que ele ficou indignado nos momentos em que cochilei, e aumentava o rádio quando isso acontecia. Advinhem o que tocava? Fato: Missioneiros adoram sertanejo brasileiro. Fato 2: Missioneiros acham que Calypso é sertanejo.

Outro fato é que essa carona veio a calhar e me deixou muito mais perto de Buenos Aires do que esperava. Enfim tudo estava dando certo. Em Santa Fé busquei um hostel, já que agora preciso de internet para trabalhar. Após um relaxante banho quente coloquei meus malcheirosos tênis para tomar um ar na varanda e após algum trabalho fui dormir. Acordei somente no dia seguinte. Chuva. Tênis completamente encharcados. De mau humor, continuei trabalhando e decidi tomar um ônibus até Rosário para fugir da chuva, e lá tomaria novamente um trem a Buenos Aires. A viagem passou bastante rápido devido à conversa que mantive com uma médica que estava sentada ao meu lado e, já em Rosário, a dúvida era se deveria seguir direto a Buenos Aires ou se deveria visitar um amigo na cidade. Escolhi a segunda opção e fui até o hostel em que ele trabalhava. Conheci um canadense muito louco que dizia que iria comprar uma canoa e viajar até Buenos Aires pelo rio Paraná. É a prova que existe gente mais louca que eu (viu mãe, te disse). O rio Paraná a essa altura é trafegado por transatlânticos gigantescos que buscam o importante porto de Rosário, tem altos valores de largura e profundidade, sem contar que a distância entre Rosário e Buenos Aires é de 300 km.

Na noite seguinte parti em ônibus também a Buenos Aires porque descobri que o trem não funcionava aos finais de semana. Cheguei novamente à Capital Federal domingo dia 20 de fevereiro e pela terceira vez essa cidade me engole, rs! Não consegui falar com meu amigo que me hospedou aqui durante o domingo, e por isso novamente me dirigi a um hostel, e aproveitando estar perto do centro fui novamente ao Maluko Beleza, bar que sempre esteve presente em minhas estadias passadas nesta cidade. Encontrei várias pessoas, inclusive um conhecido de Curitiba que estava passando uns dias em Buenos Aires, mas já na segunda feira acompanhei meu amigo a uma das muitas cidades metropolitanas da Grande Buenos Aires, Morón, na zona oeste, e aqui estou desde então, e passei muito bem.

Sábado, dia 26, fiz a tatuagem que a tanto tempo esperava, uma coruja, ave símbolo da sabedoria e da inteligência, possui ampla visão dos acontecimentos dada a capacidade de virar a cabeça 180º. Além de voar, o que inevitavelmente me dá uma sensação de liberdade. Hábitos noturnos, silenciosa, discreta, representa tudo o que busco ser. Uma única sessão, 8 horas, quase morri. É sério. Com 4 horas de tatuagem eu já não aguentava mais. Chegava um momento que o ardor provocado pela pomada anestésica era pior que a própria dor das agulhas furando a pele. Entretanto o pior momento ainda estava por vir. Coceira, muita coceira. Dias e dias de coceira e nem pense em coçar. Mas agora já está um pouco melhor.

Fora isso, os dias por aqui foram muito bem aproveitados, festas, baladas, churrascos e até a um zoológico fomos. Facundo, a segunda grande amizade que fiz na viagem, me apresentou a vários amigos. Joguei futebol com argentinos (meu time ganhou, óbvio, contava com um brasileiro). Também teve um fiasco. Certa noite, dispensamos todas as mulheres do grupo para irmos "caçar". Todos os moleques animados, cantávamos todas as mulheres da rua. Entramos numa balada, fomos ao bar, tomamos uma dose de Jagermeister e quando olhamos ao redor deparamos com a realidade: estávamos em uma festa gay. Demoramos a acreditar, afinal, além de ser uma festa a fantasia, haviam muitas mulheres, muitas delas, lindas. Mas não, éramos os únicos héteros do lugar. Não tenho e nunca tive problemas com gays, mas nunca me senti tão mal e tão incomodado em um lugar antes. Fui embora com extremo mau humor, desacreditando o que tinha acabado de acontecer e o mau humor só passou no dia seguinte.

Noutro dia desses conheci também um outro mochileiro caroneiro brasileiro: Raphael, um carioca que pretendia ir a Ushuaia também, mas como todos os outros, não tinha tanto tempo quanto eu. Por isso ainda não foi dessa vez que arrangei um companheiro de viagem, alguém se candidata? Para terminar fomos ao Zoo de Lujan, uma cidade não muito longe daqui. Não é muito limpo, nem muito organizado, mas mesmo assim fantástico pelo contato que podemos ter com os animais. Em que outro lugar da américa eu poderia acariciar um tigre ou andar em dromedário? Foi muito bacana, confiram as fotos. Também vou postar um vídeo, confiram a seção!

Hoje ou amanhã eu devo ir a La Plata e ENFIM seguir à Patagônia, lugar que deveria ter ido ainda em 2007. Vamos ver quais coisas bizarras me esperam daqui pra frente, e sem dúvida espero que sejam muitas.

Um grande abraço a todos e até a próxima postagem!

Andejo